domingo, 2 de janeiro de 2011

Cadê?



Sumiu. Não vi mais cor, rastros, cor do cabelo ou do carro. Sumiu em prazo de minutos, assim como um redemoinho perdido por aí. Sumiu como o vento que sem escolher um destino só, vai vagando, vagando e vagando. Sumiu como uma marca de batom no rosto, como um copo cheio de álcool na frente de um AA, um doce na mão de uma criança. Sumiu, de certo com as sobrancelhas ainda em v. Sumiu com medo de que alguém puxasse duas diagonais e transfomasse o v em x. "X" de bloqueio, de proibido, de censurado; x que diz não. Sumiu levando mensagens natalinas e também pequenas saudades não correspondidas.
-Que pecado um bloqueio assim, né? -Não. É de se chamar atenção.
-Assim como um vulcão? -Considerável.. todo mundo tem medo de um vulcão. -Já pensou na hipótese do seu vulcão ser um canhão? -Não. Apesar de um vulcão provocar medo, pode-se acreditar que muitas pessoas queriam chegar até sua gigantesca boca e tentar ver seu interior.
De fato é. Muitas são as pessoas que procuram o mais difícil, o mais complicado.. porém, em busca do melhor, do mais procurado. As que persistem podem chegar a conseguir algo um dia, já as que desistem.. bom, estas ficam com a âncora do fracasso. Mas é válido, pois ao menos houve tantativa, o que sem sombra de dúvidas é um nível acima daqueles que sempre procuram o mais fácil. Detalhe: uma coisa é você persistir no difícil, outra coisa é o difícil sumir.
.. E relembrando as tais mensagens natalinas (...) -Confesso que meu número estava entre elas, entretanto, sem sucesso. -Joaquina Joaquina.. ainda se fosse só a natalina, né? -Naftalina. -SHIU!

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Despertador de vidas


Acordo (quase) todos os dias com pensamento positivo sobre tudo, tentando não deixar nada me abalar em todos ou qualquer aspecto. Acordo tentando entender que aquela música que toca fundo minha alma 6h da manhã, que tenta me irritar de todos os jeitos com sua melodia de tamanha repetição e muita satisfação quando eu aperto o botão OK, é justamente para eu entender que é mais um empurrão para mais um degrau da escada da vida. É como se o som daquela melodia me falasse 'vai, você tem mais um dia para viver, que amanhã será deixado para trás." Como se fosse um aviso, no qual eu tenha que prestar muita atenção e refletir em quê e como eu farei esse dia passar mais rápido, porém, fazendo cada hora do dia, a hora. Preparar meu espírito para ouvir dezenas de tipos de pessoas, com pensamentos e opiniões muitas vezes diferentes da minha. Preparar meu espírito é fácil, o ruim é saber lidar com ele. Prepará-lo nada mais é que saber controlar o meu ser, corpo, mente. É não deixar que o próximo interfira fazendo com que meu espírito caia, quebre em duas, três ou mais partes. Não deixo, pois sei que isso pode ser o começo do meu fim. É por isso que tudo que eu faço, eu faço porque quero, porque sinto vontade.. sem deixar absolutamente ninguém mais, além do meu Único Superior, me guiar.

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Incógnita


Eu sei que muitas vezes você parece um ser estranho, pensando pra si, ora com as duas sobrancelhas fazendo um v, ora sorrindo - irônicamente ou não - mas parecendo feliz. Você sabe as respostas, mesmo não sabendo, ou não sabe se sabe, duvida, faz parte. Se auto aconselha sem nem perceber que toda transformação que por si faz, é uma morte que faz cada pessoa que prestes a se aproximar de ti, cair, falecer, calma! ressucita. Eu sei que deve ser uma confusão esse seu cérebro, e sua razão deve ser bem rústica, respeitadora, sabe dos limites, tentação. Nada que abale, eu que abalo. - Raiva! - Por quê? - Medo! - De quê? - Raiva de novo! Não deve ser um bicho de sete cabeças, mas não deixa de ser um bicho. Bicho arisco, nem tocar e nem falar, mas se quiser olhar pode - pouco, bem pouco. É assim sempre, acostuma-te. Se bem que não foi tão difícil assim tocar, flash perfeito contorna a escultura da cabeça aos pés com todos os míseros detalhes, desde a cor da roupa, até a forma como estava apoiando-se no balcão que batia um pouco acima da cintura, sem contar o pé esquerdo virado e mechendo. Belezinha, pensava eu. Passos, cores, jeitos, olhares, sorrisos, modo como se senta, modo de falar, agir, piscar, chingar, brigar, tirar e até brincar, tudo isso devo saber ou pelo menos tento, e muito. Você é o preto no branco, isso que provoca medo. O seu próximo passo ninguém sabe. E se eu fosse uma psicóloga? Estudaria só o seu caso de perguntas sem respostas. Já sei, deves de ter uma vida com uma pitada de solidão, sem muitos amigos, confissões, risos, longe da família. Envolver? Besteira, ou não. Eu quero, mas coloca cartas na mesa das quais não quero ler nem ver. Então pra quê? - Mala. Tá bom, vou recortar e guardar. Uma pedra de gelo ambulante, como pode? Sou a água, a qual seca e evapora, mas também posso ser a água pronta para se ser homogênea. Minha mentalidade também é forte, meu gênio sabe ser difícil e chatisse eu também tenho de sobra. Eu sei que não é e nunca foi a intenção, mas está na bíblia a atração carnal, não é?

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Vestibular


Não achei que coragem eu teria de sobra, muito menos tanta vontade assim. Foi quando em 01/09/2010 me inscrevi sem compromisso para um vestibular. Preenchendo toda aquela burocracia sem fim, marquei minhas três opções de curso: Fisioterapia, Fonoaudiologia e Psicologia. Estava superhipermega tranquila até chegar o dia 23. Dia 25, num sábado com desígnios de muita chuva iria acontecer o maior vestibular da região. Sim, o meu. Um outro detalhe é que para chegar até ele, era necessário percorrer 180 kilômetros e passar por mais de 3 cidades e tá, isso não era um problema tão grande assim.
Chegou o dia. A prova era às 14 e no regulamento aconselhava chegar 30 minutos antes no local da prova, para verificar num mural o número da minha sala e meu bloco. Ficava a 40 km de Sorocaba, a cidade onde eu estava, 40 minutos no máximo. Nas exatas 12 horas e 30 minutos saímos com destino marcado e às 12:40 o carro para. Sim, do nada, o carro impecável e ainda na garantia resolveu descansar nas vésperas do meu vestibular! @#$%¨&$#@$$#@! Por sorte, do meu lado estava um cara que, sem dúvidas, tenho uma admiração enorme e um nível de agradecimento muito alto, fez algumas ligações e em breve um outro carro estava no local onde o lindinho parou: em frente ao Shelton Inn Hotel, plena Afonso Vergueiro. Era 13:30 e estavamos saindo de lá. Ele voou, literalmente. Avançou sinal vermelho, passou em meio a postos de gasolina, ultrapassou em esquinas, se enfiou em muitos vãos perigosos, foi mal educado no trânsito.. tudo isso por mim. Deu o seu melhor, e por fim, chegamos. Aquele trânsito sem fim parecia mostrar que todo mundo estava atrasado como eu, e sem dúvidas, umas 300 pessoas também estavam mais que atrasadas. Chegando na Travessa do Carmo, desci do carro imediatamente com papéis na mão e corri em direção ao portão de entrada. A roleta não girava, o volume de gente era muito, muito mesmo, até me assustei. Entrei. Para procurar meu nome naquele mural foi um sacrifício, tinha mais uns 50 querendo olhar também. Rafael. Isso. Esse era o nome do menino que estava na minha frente com uma folha sulfite e com o mesmo intuito que o meu. Vi perfeitamente a hora que ele colocou a folha embaixo do nome dele e o meu, úfa, estava logo acima. Sala 30, bloco IX. Esse era o meu último destino naquele momento. Desci as escadas correndo, olhando sala por sala, número por número, até avistar a sala número 30. Era a minha, sim, a minha! Avistei o instrutor e tremendo entreguei o meu RG. Ele sorriu e me disse: Faltam 3 minutos pra começar a prova. Só sorri porque ele era bonito e eu sou educada, mas na verdade eu queria era chorar, juro. Quando pisei na sala, pensei uma coiss que não vem ao caso agora. Aproximadamente cem pessoas estavam me olhando, e daquele corredor enorme por onde eu passava avistei de longe uma carteira vazia, a última da primeira fileira da porta, encostada na parede. Sentei e em prazo de segundos já estava com uma das provas na mão: a redação. Fiquei mais 15 minutos parada olhando pras paredes e tenho certeza que os dois instrutores acharam que eu iria fazer 3 linhas de texto. Engano deles, fiz as que a folha pedia. Logo peguei o caderno de perguntas, questões enormes me desanimaram logo de início, mas não foi o suficiente pra me fazer desistir. Em 3 horas de prova terminei as perguntas e sinceramente achei que 10 era o máximo que eu acertaria. Desanimada fui embora esperar o resultado que sairia às 14 do dia 26, um domingo chuvoso, e que provavelmente eu já estaria na minha querida Buri.
Passei.

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

Amizade


“Fevereiro de 2009 conheci uma garota com um lindo coração, porém, muito ingênua. De início achei que fosse ser uma a mais pra eu aturar, mas não. Se era bonita, feia, gorda, magra ou se já havia amado, não vem ao caso. O que interessa é que ela tinha o dom de se jogar de cabeça em suas relações, seja ela qual for. Eram sempre tão intensas que acabavam por se esgotar. Não dos dois lados, apenas para ela. Ela mesmo fazia com que esgotasse. Então a dor chegava à seu ouvido dizendo: não vá atrás. Eu sempre soube que a dor dela estava certa. A errada era ela.."
Ela ia, claro que ela ia. Guiada pela inocência, onde a humildade reina e a saudade aperta, lá estava ela com sua típica beleza tentando contato ou por mensagem de texto ou MSN messenger para celular. Na maioria das vezes era pra se redimir de um ato não feito. Isso mesmo, não feito. Em outras era só pra dizer que não aguentava mais aquela mísera distância e aquele clima chato de egoísmo que estava a encomodando, e demais. Para qualquer outra pessoa poderia não ser, mas para mim era linda a forma como ela se expressava, e como eu já disse, ela se entregava mesmo em suas relações, e relembrando: seja ela qual for.
Cansei de gritar com meu cérebro, razão, coração ou qualquer outro membro interno meu, implorando que não enjoasse das pessoas tão fácil assim. Eu sabia que isso feria, doía e machucava, mas o quê eu poderia fazer se me obedecer não era uma das coisas que meu cérebro mais gostava? Eu enjoava, um dia queria outro não, um dia sorria outro também não.. e assim por diante. Quero um dia não enjoar das pessoas tanto assim, ou não. Entretanto, sempre seguia, e assim como a correnteza do rio nunca para, eu também nunca parava. A rotina me tomava tanto tempo que eu não parava pra pensar em quem eu tinha do meu lado e o valor de todas elas que me rodeavam. Ela graças a Deus ainda existe, da mesma forma, do mesmo jeito e com o mesmo poder de conquistar as pessoas, mesmo que as vença pelo cansaço. Temos contato, não o mesmo de antes. Apenas um contato indireto, arrebatador de razões e também de corações.
Hoje, a mais de um ano que a conheço, acredito que só me resta arrependimento atrás de arrependimento a ser sentido. Por quê? Porque só agora eu vi que perdi uma Melhor Amiga.
Era sua vez de enjoar de mim.

domingo, 15 de agosto de 2010

É fato


Existem dias em que tudo parece estar naquele abismo profundo, envelhecedor. Dias em que no final você pensa que a melhor coisa que fez foi acordar, e num prazo de segundos, repensa e encherga que a melhor hora mesmo é a hora de se deitar, onde por mais que não seja profundo, o sono consegue passar uma borracha e fazer com que os problemas sejam esquecidos em no mínimo 8 horas. Nesses dias, o psicológico faz suas próprias reclamações, quieto, sozinho, sem deixar o cérebro mandar um comando sequer saído de nossa própria vóz, implorando um pedido de ajuda. Reclamamos da comida, do lar, das pessoas, das coisas, da vida. Reclamamos de tudo. E, por mais que ouça vózes dizendo frases de auto ajuda como "Olhe para trás", "Você tem tudo", ainda sim ouvimos por um ouvido e soltamos pelo outro. Isso quando a ira não aparece e faz com que nossas palavras se tornem ásperas com as pessoas que só tentam abrir nossos olhos. Isso é péssimo. Creio que isso faz parte de todo ser humano, dos mais diversificados tipos e idade.
Porém, uma hora passa. Tudo passa. Tempo ao tempo.
Ontem, 14 de agosto, por volta das 19:50, pus me dentro de um hospital acompanhada pela minha mãe, solicitei uma consulta e em prazo de minutos ouvi a vóz da secretária dizendo "Só aguardar". Então, naquele frio que parecia cortar minha pele fina, procurei um lugar para sentar, e, graças a Deus, haviam muitos, exceto um, que ocupado por uma criança indefesa me chamou muito a atenção. Com um rosto bonito, sorriu ao me ver sentar ao seu lado. Aparentava ter seus 6 anos sofridos, pele escura esbranquiçada pelo vento que aquele frio trazia. Em seus pequenos e achatados pés, cujas unhas estavam pintadas com esmalte descascado rosa, um chinelo amarelo que estava preto, parecendo estar duro, congelado. Me dava mais frio ainda olhar para aquela cena. Uma pequena bermuda que fazia parte do uniforme escolar e uma blusa de moleton curta, ambos muito sujos. No cabelo embaraçado dava pra enchergar um pequeno elástico cor de rosa, digno de menina, de menina vaidosa que, pelo pouco que tinha, ainda sentia vontade de se mostrar feminina. Mas depois de um olhar humilde que cruzou com o meu, não me contive mais. Chorei.
A dor no meu pulso esquerdo que parecia não ter fim sumiu naquele momento. E, dando lugar a um rio de lágrimas próximo a estourar, apenas abaixei minha cabeça e permiti que elas saíssem. Achei que não fosse mais parar de chorar. Peito apertado, coração numa dor antes não sentida com tanto sofrimento, com tanta culpa. Culpa por não poder abracar o mundo com os braços.
Foi quando levantei minha cabeça, e ao ver as lágrimas no meu rosto, minha mãe, também afogada com a cena, saiu em direção ao carro à procura de ajuda. Mas era tarde demais. Por evitar olhar do lado, a perdi de vista. Aquela criança que tomou-me as lágrimas já não estava mais ali, tinha saído, sumido, desaparecido.
Então, o abismo que eu tanto descrevi lá em cima, tornou-se banal.

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

Você pode viver sozinho


Muitas são as pessoas que dizem que decepção vem de qualquer pessoa. Discordo: ninguém se decepciona com quem não conhece, muito menos com quem não gosta. Já pensou se fossemos nos decepcionar por cada x de pessoas que decepcionam? A cruel espada da ilusão só vale para quem gostamos. Para quem não temos uma ligação direcionada ao coração, não nos atinge, diferente dos que sentimos pelo menos um mísero afeto. Darei o nome de "amores" para as pessoas conosco afetuosas. Só nossos amores são capazes de nos ferir com a espada da decepção, pois os estranhos não têm esse trágico poder, já que seus atos não nos causam nenhuma impressão. Não se trata de ilusão? Faço um comentário: "A ilusão é como uma névoa que nos embaraça a visão, distorcendo as imagens e os fatos que estão à nossa frente."
Não espere nada de ninguém, ninguém é capaz de nos prometer santidade ou eterna fidelidade. Se necessário, faça o uso do óculos da lucidez, mas acima de tudo, seja você alguém incapaz de provocar sofrimentos nos seres que caminham ao seu lado.