"Sei lá, a tua ausência me causou o caos, no breu de hoje eu sinto que o tempo da cura tornou a tristeza. Sem mais, a vida vai passando no vazio, estou com tudo a flutuar no rio esperando a resposta ao que chamo de amor."
Não é mais dessa tristeza que falo. Falo do costume.
Como dizem, há coisas que a gente não ama, acostuma.
Há coisas que a gente não gosta, mas acostuma.
Há coisas pequenas e ruins ou grandes e até estrondosas, mas acostuma.
Coisas que você olha e pensa na decadência, na regressão, mas acostuma.
Tá bem assim: no acostuma.
Já chegou a hora de acostumar, creio que ela está de aniversário marcado.
Na verdade essa de acostumar foi obrigatória.
Obrigando a gente a acostumar. Ué, acostumar.
Você não teve de se acostumar sem mim?
Tive de me acostumar sem você.
Das crianças ainda lembro da nossa, a única e eterna talvez.
Vejo-a de vez em quando e pergunto-a onde foi parar seu leite materno.
Nada me responde, mas pergunta: você a deixou de amar?
Filha, você é tão inteligente, a sua mamãe podia ser assim.
Você puxou a mim.
Seriamos o trio perfeito, um amor incondicional, uma vida no paraíso.
Mas não. Eu amo. Amo você, mamãe, me amo, amo nós.
Nós somos uma família, lembra? Amei tanto ter essa família.
Mas filha, me ajuda, diz pra mim e tira essa amargura do meu peito.
Eu to ficando mais de idade, esqueço de algumas coisas.
Esses dias achei o celular dentro da caixinha de jóias.
Mas era porque tinha uma foto da mamãe.
Filha, olha pra mim, diz a verdade...
Cadê a mamãe?
18/02/2013
Dia 1 est. nat. ft.