Por favor, passa tempo.
O que fazer quando tudo some de suas mãos e desesperadamente você começa uma longa jornada em busca de uma saída há milhares de kilômetros?
O que fazer quando você acorda com o pé esquerdo, e ainda por cima bate muitas vezes a cabeça num mesmo só lugar?
E quando tudo desmorona, o que fazer?
Na nossa vida temos tantos altos e baixos, tantas vontades e tantas reclamações.. Há dias em que nada faz sentido e que acordar foi a pior coisa a ter feito. Quanta falta faz um delete na vida real, um reset, um num lock pra bloquear aquele número inacabável de pessoas te jugando sem ter nenhum motivo.
De quanta coisa precisamos pra viver, quantos são os cifrões responsáveis pela felicidade e que parcela eles tem?
Rezo para que esse vazio enorme dentro de mim seja só uma terrível tpm me assustando pra valer, e que ela vá embora recarregar as energias para que daqui à um mês volte com aquele pique de me jogar pra baixo.
Não me faz falta um ombro amigo, nem um abraço carinhoso, nem bebida, nem coisa e tal. Não é um baladeiro de plantão que me ganha, um palhaço talvez me acanha, nada que me tire fora do normal.
De manhã uma núvem apertada, daquelas cheias de água pronta para desmoronar em cima daqueles com e sem teto.
Eu pensei que pudesse aguentar tanta coisa pesada da vida, pensei que não pudesse me lembrar de coisas passadas, de barras encaradas, de risos felizes. Enganar a mim mesma dizendo que essas coisas da vida em comum passam é um grave erro que cometo sem saber o porquê. Ausência de força talvez. Força? Força.
Será que sou tão sozinha como me vejo agora? E essa liberdade que eu respiro, de quem pertence?
Talvez me assuste essa tal liberdade, é dificil ser livre sozinha. Falta-me uma base de calor, de amor, de paixão. Por favor, desáte-me com todas as letras e amarre-me com um nó cego, faça-me prisioneira da minha própria vontade. Eu mereço.

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