Estava eu aqui de cabeça no estudo e no trabalho quando de repente me pego pensando em você. Sim, você. De novo? De novo.
Comecei a lembrar todas aquelas vezes em que te cerquei no corredor, na rua, dentro de danceterias e, sem nenhuma vergonha na cara te forçava a me enxergar. Como eu era – sou – autoconfiante né? Você, sobrancelhas em V, semblante sério e sem muitos risos tendo surpresas de uma garota de 17 anos? Pra você não era normal, porém acredito que fosse desafiante.
Não sei se falo de você no passado ou no presente. Acredito eu que, presente, passado ou futuro, tudo faz parte da mesma história. Mas decidi que vou falar no passado.
Você lembra do tanto que eu tentava te chamar atenção? Aquelas suas piadinhas no meio da conversa nunca foram ao meu favor, nem pra me fazer rir. Eram apenas provocações, porque ciúmes, bom, infelizmente tinha e muito, mesmo que nada me pertencesse. E você se aproveitava disso porque simplesmente não tinha como não perceber que meus olhares destinávam-se à você, só você.
Te peguei por várias vezes e em diversificadas ocasiões me olhando de canto, medindo-me dos pés à cabeça. Hoje não sei se era uma doce ilusão ou se era realmente vontade de mim.
Por fim, sorri feliz ao te ver depois de alguns meses. Você, sempre deslumbrante, me hipnotizou, me fez perder o fôlego. Mas como sou teimosa, tratei de apressar meus pulmões para voltarem ao normal, afinal.. não demoraria mais que algumas horas para te perder de vista novamente, e desta vez por tempo indeterminado.
Não esqueci que ao me ver, tambem sorriu pra mim, tá? Foi uma explosão de desejos e sensações dentro de mim, pena que as noites acabam.
Felicitada, me peguei sorrindo novamente. E muito. A madrugada toda.
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