"Não sei o que há de errado em sintomas de paixão. Não é mostrado em público, é animador, afetuoso e cheio de bondade. Tem carinho de sobra, atenção em excesso e vontade de riso, alegria e felicidade enorme."
Em certos momentos apela dolorosamente pelo pedido, acaba implorando por aquilo que deveria estar vindo sólido, de bom agrado.
Como às vezes somos alvo de coisas fúteis, teimamos em bater naquela mesma tecla do teclado que foi molhado, batido, caído e quebrado. Chamamos um técnico, apelamos para o secador de cabelo e bombas de posto. O refrigerante que caiu, secou. A batida quase nem parece, no chão onde ele esteve, já foi levantado e o quebrado... bom, a cola não resolveu.
Mas não houve desistência. Em pólos longe daqui há cidades com uma bela infraestrutura e uma imensidão de comércios eletrônicos propícios para esse tipo de conserto. Não fica muito barato - barato digo no sentido sentimental da coisa. Não fica barato por dentro, aperta e dá remorso pela perda - sim, tem gente apegado à coisas materiais. Mas como o brasileiro não gosta de desistir, o teclado foi levado em uma dessas potentes lojas de reconstrução.
Depois de quase dois meses internado lá, novo ele voltou pra casa. Foi olhado minuciosamente cada detalhe para ver se a batida, o molhado e o quebrado ainda estavam lá. Pra uma sorte grande tudo isso já tinha sido exonerado. Agora estava da mesma cor, trocaram se quase todas as teclas, estava limpinho, cheirando a.. novo! Estava novo! Entretanto, por dentro aquele aperto por mais camuflado que estivesse, não tinha saído de lá. Foram feitos alguns métodos psicológicos para que houvesse regeneração daquela mente culpada, mas ainda sim vestígios de "cinzas" como "você" disse ainda estavam lá.
Contudo, culpar aquela pobre alma por tudo não seria justo. Talvez o justo fosse mesmo tentar varrer as cinzas para fora, com a ajuda de um outro periférico ou até um outro alguém, afinal... brinquedo você compra outro.
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