quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Vestibular


Não achei que coragem eu teria de sobra, muito menos tanta vontade assim. Foi quando em 01/09/2010 me inscrevi sem compromisso para um vestibular. Preenchendo toda aquela burocracia sem fim, marquei minhas três opções de curso: Fisioterapia, Fonoaudiologia e Psicologia. Estava superhipermega tranquila até chegar o dia 23. Dia 25, num sábado com desígnios de muita chuva iria acontecer o maior vestibular da região. Sim, o meu. Um outro detalhe é que para chegar até ele, era necessário percorrer 180 kilômetros e passar por mais de 3 cidades e tá, isso não era um problema tão grande assim.
Chegou o dia. A prova era às 14 e no regulamento aconselhava chegar 30 minutos antes no local da prova, para verificar num mural o número da minha sala e meu bloco. Ficava a 40 km de Sorocaba, a cidade onde eu estava, 40 minutos no máximo. Nas exatas 12 horas e 30 minutos saímos com destino marcado e às 12:40 o carro para. Sim, do nada, o carro impecável e ainda na garantia resolveu descansar nas vésperas do meu vestibular! @#$%¨&$#@$$#@! Por sorte, do meu lado estava um cara que, sem dúvidas, tenho uma admiração enorme e um nível de agradecimento muito alto, fez algumas ligações e em breve um outro carro estava no local onde o lindinho parou: em frente ao Shelton Inn Hotel, plena Afonso Vergueiro. Era 13:30 e estavamos saindo de lá. Ele voou, literalmente. Avançou sinal vermelho, passou em meio a postos de gasolina, ultrapassou em esquinas, se enfiou em muitos vãos perigosos, foi mal educado no trânsito.. tudo isso por mim. Deu o seu melhor, e por fim, chegamos. Aquele trânsito sem fim parecia mostrar que todo mundo estava atrasado como eu, e sem dúvidas, umas 300 pessoas também estavam mais que atrasadas. Chegando na Travessa do Carmo, desci do carro imediatamente com papéis na mão e corri em direção ao portão de entrada. A roleta não girava, o volume de gente era muito, muito mesmo, até me assustei. Entrei. Para procurar meu nome naquele mural foi um sacrifício, tinha mais uns 50 querendo olhar também. Rafael. Isso. Esse era o nome do menino que estava na minha frente com uma folha sulfite e com o mesmo intuito que o meu. Vi perfeitamente a hora que ele colocou a folha embaixo do nome dele e o meu, úfa, estava logo acima. Sala 30, bloco IX. Esse era o meu último destino naquele momento. Desci as escadas correndo, olhando sala por sala, número por número, até avistar a sala número 30. Era a minha, sim, a minha! Avistei o instrutor e tremendo entreguei o meu RG. Ele sorriu e me disse: Faltam 3 minutos pra começar a prova. Só sorri porque ele era bonito e eu sou educada, mas na verdade eu queria era chorar, juro. Quando pisei na sala, pensei uma coiss que não vem ao caso agora. Aproximadamente cem pessoas estavam me olhando, e daquele corredor enorme por onde eu passava avistei de longe uma carteira vazia, a última da primeira fileira da porta, encostada na parede. Sentei e em prazo de segundos já estava com uma das provas na mão: a redação. Fiquei mais 15 minutos parada olhando pras paredes e tenho certeza que os dois instrutores acharam que eu iria fazer 3 linhas de texto. Engano deles, fiz as que a folha pedia. Logo peguei o caderno de perguntas, questões enormes me desanimaram logo de início, mas não foi o suficiente pra me fazer desistir. Em 3 horas de prova terminei as perguntas e sinceramente achei que 10 era o máximo que eu acertaria. Desanimada fui embora esperar o resultado que sairia às 14 do dia 26, um domingo chuvoso, e que provavelmente eu já estaria na minha querida Buri.
Passei.

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