sábado, 9 de abril de 2011

Remembering

Como eu gostava quando você esquecia seus olhos em cima dos meus. Como era bom ter aquela sensação de cobiço, de vontade e desejo. Como mudava radicalmente meu dia quando logo de manhãzinha você aparecia dentro daquele enorme monumento ambulante, com um brilho enorme (escondido, mas era enorme) que Meu Deus! estremecia. O rosto era o mesmo todos os dias, a não ser que encontrasse uma autoridade acima da sua hierarquia, aí mudava - por alguns segundos - e logo voltava ao normal: semblante sério, sem estar desvirtuado por algo ou alguém.
E naquela festa junina, lembra? Danças, cantigas, crianças, quentão, bolinho de frango e de mandioca, tudo como manda o figurino e a esperada barraca de doces. Nenhuma fila, olhares de cá da frente do palco e olhares de lá de dentro da barraca se cruzavam ainda que rapidamente mudavam de foco, penitência isso. Depois de algumas medrosas tentativas, chegar na barraca não seria tão difícil assim se cada pessoa tivesse um amigo como ele - T, saudades, amo você - já que seu poder de descontrair ambientes vem à tona em prazo de segundos. É, lembro-me bem que depois da frase "Posso ficar aqui até acabar a bancada de doces?" você riu, me pedindo pra ajudar a retirá-los mais tarde. Teve também o episódio daquele número começado com.. bom, não vem ao caso já que eu apenas aceitei aquela sua desculpinha esfarrapada. Foi gratificante, ganhei (pedi) um beijo (forçado). Ganhei minha noite.

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